Oximetria – Como Usar o Oxímetro e Valores Normais de Saturação

A pandemia por Coronavírus a partir de 2020 afetou os países do mundo todo de várias maneiras, seja economicamente, socialmente ou sanitariamente.

Além disso trouxe consequências para a vida prática de muitas pessoas, que assustadas com os resultados da doença, passaram a mudar muitos de seus hábitos e costumes.

Um deles e que provavelmente veio para ficar foi o cuidado maior com a higiene das mãos, do uso de máscaras de proteção, do distanciamento social, entre outros.

Curiosamente, muitas pessoas que pegaram a Covid-19 ou presenciaram seus efeitos em pessoas próximas, passaram a fazer uso em casa de um equipamento antes de uso exclusivo de profissionais da saúde, que é o oxímetro.

De forma resumida, um oxímetro nada mais é que um aparelho que mensura o nível de oxigenação sanguínea e é de extrema importância no ambiente hospitalar.

Isso é devido à dificuldade que nossas células tem de trabalhar adequadamente quando seu nível de oxigênio sanguíneo é baixo.

Como visto inicialmente, a aferição da oxigenação sanguínea é de fundamental importância nos casos de suspeita e confirmação de doença pulmonar.

E é justamente por conta desta importância e do acesso razoavelmente fácil que muitas pessoas estão adquirindo este equipamento para monitorar em casa sua saturação de O2.

Seu preço está dentro das centenas de reais, pode ser encontrado em farmácias. Além disso não necessita de furo de agulha para seu manuseio e resultados.

Na sequência falaremos mais sobre seu funcionamento, quando e como usar.

Oximetria – Exame Básico para Níveis de Oxigenação Sanguínea

A oximetria é realizada portanto no hospital ou em casa através do aparelho oxímetro, principalmente quando há hipótese de doenças que afetam o funcionamento dos pulmões, doenças cardíacas, neurológicas, entre outras.

Quando realizado este monitoramento em casa, é necessário saber como usar e como interpretar seus resultados.

Como Usar o Oxímetro (De Dedo)?

Além de não invasiva, esta técnica de aferição da quantidade de oxigênio sanguíneo é feita com o uso de um pequeno equipamento (oxímetro de dedo), que é preso à ponta do dedo do paciente.

A grande vantagem de seu uso está no fato de não ser preciso coletar nenhuma gota de sangue do paciente, evitando aquele estresse e incomodo típico.

Além da saturação de O2, outros dados vitais são coletados, tais como quantidade de batimentos cardíacos e frequência respiratória.

Como Funciona o Aparelho?

Ao entrar em contato com a pele, um sensor de luz do equipamento capta a quantidade de oxigênio presente no sangue naquele momento, indicando os valores encontrados em seu visor em pouquíssimo tempo.

Estes sensores são extremamente regulares e de aferição imediata, podendo em alguns casos serem usados além dos dedos das mãos, como dedos do pé ou orelha.

Gasometria Arterial

Como complemento, temos a nível hospitalar uma outra forma de fazer essa aferição, que é através da gasometria arterial.

Diferentemente do oxímetro de dedo, este exame é invasivo pois é realizado através de coleta de sangue para uma seringa, sendo necessário portanto uma picada de agulha.

Justamente por isso que a gasometria não é o exame inicial de referência para diagnóstico e controle da saturação de O2.

O grande benefício da gasometria é que a aferição da saturação de oxigênio é mais precisa, sem falar que ela aponta outros dados importantíssimos como a quantidade de gás carbônico, pH ou quantidade de ácidos e bicarbonato no sangue, entre outros.

Seu funcionamento se dá da seguinte forma: uma coleta de sangue arterial, que pode ser da artéria radial (mais comum) ou da artéria femoral é feita e na sequência a amostra é levada para ser medida em um aparelho específico no laboratório.

Por ser invasivo, o exame é feito somente em casos onde o paciente necessita ser monitorado continuamente ou de forma mais precisa.

Ele é comum em cirurgias de grande porte, presença de doenças cardíacas graves, arritmias, infecção generalizada, alterações súbitas da pressão arterial ou em casos de insuficiência respiratória, entre outros.

Valores Normais dos Níveis de Saturação

Normalmente dizemos que o sangue está com oxigenação ótima quando se percebe uma saturação acima de 95% e isso é esperado em uma pessoa saudável, com oxigenação adequada.

Tais valores apontam que os pulmões estão sendo capazes de fazer as trocas gasosas que precisam.

Por outro lado, uma taxa de saturação muito baixa, como menos de 90%, pode indicar que os pulmões não estão em pleno funcionamento e com redução da oferta de oxigênio, o que indica a necessidade de intervenção médica e terapia de oxigênio em um hospital.

Algumas doenças mais graves podem ser capazes de reduzir a eficiência das trocas gasosas entre pulmões e sangue, como a asma, pneumonia, enfisema, insuficiência cardíaca, doenças neurológicas e ultimamente complicações por Covid-19.

Cuidados Básicos de Uso

Ao se utilizar o oxímetro em casa, o paciente e seus cuidadores precisam estar muito bem orientados para saber interpretar os resultados das aferições, mas também ter alguns cuidados básicos para não alterar a leitura do aparelho.

Entre os principais desses cuidados podemos citar:

  • Calibração regular do equipamento com empresas especializadas;
  • Não uso de esmalte ou unhas postiças, pois as mesmas afetam a passagem do sensor de luz;
  • Manutenção da mão que usa o oxímetro relaxada e abaixo do nível do coração;
  • Proteção e guarda do equipamento corretamente quando não estiver em uso;
  • Evitar exposição do mesmo continuamente em ambientes muito iluminados ou com forte incidência da luz solar;
  • É fundamental observar o correto posicionamento do aparelho no dedo do paciente.

Importante dizer que qualquer que seja o resultado aferido com o oxímetro, a equipe de profissionais fará o exame diferencial para afastar ou confirmar a presença de uma doença, pois alterações no aparelho não querem dizer necessariamente que a pessoa esteja com Covid ou outra doença.

Em alguns casos uma alteração pode ser causada por exemplo pela presença de anemia ou deficiências de circulação sanguínea, que sim, podem interferir na avaliação.

Atenção Especial aos Fumantes

Pessoas que fumam e usam o oxímetro tem maior tendência de apresentar uma leitura equivocada da saturação de oxigênio.

Isso ocorre porque o oxímetro não tem a capacidade de distinguir em sua leitura as células transportadoras de oxigênio das que transportam dióxido de carbono.

Sabe-se que os fumantes têm uma maior chance de apresentar níveis elevados de dióxido de carbono, assim, é possível que o valor apresentado pelo oxímetro esteja aumentado, mesmo que a porção de oxigênio esteja reduzida.

Desta forma, caso exista suspeita de que o valor de saturação de uma pessoa fumante não esteja correto, principalmente se existirem sinais de dificuldade respiratória, como sensação de falta de ar, cansaço fácil, pele pálida ou lábios azulados, é importantíssimo ir ao hospital para realizar uma gasometria arterial para se identificar os valores corretos de oxigênio e dióxido de carbono presentes.

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